Vamos supor que você trabalha em uma empresa que deseja acompanhar a opinião das pessoas sobre seus produtos nas redes sociais. Todos os dias, milhares de comentários, avaliações e menções são publicados, tornando inviável analisar tudo manualmente.
Para lidar com esse grande volume de dados, a empresa decide usar aprendizagem semi-supervisionada. Nesse cenário, apenas uma pequena parte dos comentários é analisada e rotulada manualmente (por exemplo, como positivos ou negativos), enquanto o restante é processado automaticamente pela máquina. A partir desses poucos exemplos rotulados, o modelo aprende padrões e passa a classificar os demais comentários sozinho, ajudando a identificar tendências, problemas recorrentes e a percepção geral do público de forma muito mais eficiente.
Na aprendizagem semi-supervisionada, o modelo é treinado usando uma pequena quantidade de dados rotulados e uma grande quantidade de dados não rotulados. Essa abordagem é especialmente útil quando rotular todos os dados manualmente seria caro, demorado ou inviável, mas ainda assim existe uma grande base de dados disponível para aprendizado.
Treinamento: Primeiro, uma pequena amostra de dados é rotulada manualmente. No exemplo das redes sociais, alguns comentários são classificados como “positivos”, “negativos” ou “neutros”. Esses dados servem como ponto de partida para o modelo.
Aprendizagem com dados não rotulados: Em seguida, o modelo analisa uma grande quantidade de dados sem rótulo. Com base nos padrões aprendidos na fase inicial, ele tenta classificar esses novos dados e começa a identificar estruturas e comportamentos recorrentes.
Refinamento: Com o tempo, parte dessas previsões pode ser revisada e corrigida. Esses novos rótulos são adicionados ao treinamento, permitindo que o modelo aprimore sua precisão e se torne cada vez mais eficiente.
Diagnósticos médicos: Em hospitais, o volume de imagens médicas, como radiografias e ressonâncias magnéticas, é extremamente grande. Rotular manualmente cada imagem para identificar condições como fraturas ou tumores exige muito tempo e envolve alto custo. Com a aprendizagem semi-supervisionada, o modelo pode ser treinado inicialmente com um pequeno conjunto de imagens rotuladas por especialistas. Em seguida, ele passa a analisar uma grande quantidade de imagens não rotuladas, aprendendo padrões adicionais e aprimorando sua capacidade de identificar anomalias. Isso auxilia os médicos a realizarem diagnósticos mais rápidos, consistentes e precisos.
Classificação de textos: Em escritórios de advocacia, lidar com grandes volumes de documentos jurídicos faz parte da rotina. Rotular manualmente cada documento para identificar o tipo de processo ou os principais temas abordados é uma tarefa demorada. Com a aprendizagem semi-supervisionada, o modelo pode ser treinado inicialmente com um pequeno conjunto de documentos rotulados. Depois disso, ele utiliza uma grande quantidade de documentos não rotulados para aprimorar sua capacidade de classificação. Assim, os advogados conseguem organizar melhor os arquivos e localizar informações relevantes de forma mais rápida e eficiente.
Identificação de produtos por busca reversa de fotos: Plataformas de e-commerce frequentemente recebem fotos de produtos enviadas pelos próprios usuários. Classificar esses produtos manualmente seria impraticável devido ao grande volume de imagens. Com a aprendizagem semi-supervisionada, o sistema pode ser treinado inicialmente com um pequeno conjunto de fotos rotuladas. Em seguida, ele utiliza uma grande quantidade de imagens não rotuladas para aprimorar sua precisão. Dessa forma, a plataforma consegue identificar e categorizar automaticamente novos produtos, melhorando a experiência de busca e navegação dos usuários.
Monitoramento de culturas: Na agricultura, drones são frequentemente usados para capturar imagens aéreas das plantações. Analisar manualmente essas imagens para identificar pragas, doenças ou deficiências nutricionais seria inviável devido ao tempo e ao custo envolvidos. Com a aprendizagem semi-supervisionada, o modelo pode ser treinado inicialmente com um pequeno conjunto de imagens rotuladas e, em seguida, utilizar uma grande quantidade de imagens não rotuladas para aprender a identificar padrões e problemas nas lavouras. Isso permite que agricultores monitorem suas culturas de forma mais eficiente e adotem medidas preventivas com maior rapidez.
Prevenção em segurança da informática: Empresas de tecnologia precisam monitorar constantemente suas redes para identificar atividades incomuns que possam indicar tentativas de invasão, fraudes ou falhas no sistema. Rotular manualmente grandes volumes de dados de tráfego de rede é impraticável, especialmente considerando a velocidade e a complexidade das ameaças digitais atuais. Com a aprendizagem semi-supervisionada, o modelo pode ser treinado com um pequeno conjunto de exemplos de anomalias já conhecidas. Em seguida, ele analisa grandes volumes de dados não rotulados para identificar novos padrões suspeitos, ajudando a proteger a rede e a prevenir incidentes de segurança.
O seu e-mail certamente usa um serviço de e-mail que precisa filtrar mensagens de spam. Esse é um ótimo exemplo de aprendizagem semi-supervisionada em ação. O funcionamento é mais ou menos assim:
Treinamento com dados rotulados: No início, os desenvolvedores treinam o filtro de spam usando um conjunto de e-mails rotulados manualmente como “spam” ou “não spam”. Esses exemplos servem como base para que o modelo aprenda padrões comuns de mensagens indesejadas e legítimas.
Aprendizagem com dados não rotulados: Após essa fase inicial, o modelo passa a analisar um grande volume de novos e-mails que ainda não possuem rótulos. Com base nos padrões aprendidos, ele tenta classificar automaticamente essas mensagens, ajustando suas previsões conforme identifica novas características nos dados.
Refinamento contínuo: O sistema melhora com o tempo graças à interação dos usuários. Quando você marca um e-mail como “spam” ou “não spam”, essa informação é usada para corrigir e aprimorar o modelo, tornando o filtro cada vez mais preciso.
Por exemplo, ao receber um e-mail suspeito oferecendo um prêmio em dinheiro, o filtro identifica palavras, estruturas e comportamentos comuns em mensagens de spam e move automaticamente o e-mail para a pasta correta. Se um e-mail legítimo for classificado incorretamente, você pode sinalizá-lo, ajudando o sistema a aprender com o erro.
Com esse processo, o filtro de spam consegue:
Identificar e-mails fraudulentos: bloquear tentativas de phishing, golpes e ofertas falsas.
Reduzir o lixo na caixa de entrada: manter apenas mensagens relevantes visíveis ao usuário.
Aumentar a produtividade: evitar distrações causadas por e-mails indesejados.
Reforçar a segurança: proteger contra links maliciosos e malware enviados por e-mail.